PCB Zero sem pânico, 5 passos para sair do risco e entrar na conformidade

PCB não é assunto para assustar, é assunto para organizar

O pior do PCB não é o prazo, é o retrabalho caro por falta de inventário.

PCBs, também conhecidos como ascarel, foram usados por décadas como fluido isolante em transformadores, capacitores e outros equipamentos antigos. O problema é que essas substâncias são tóxicas e persistentes, por isso o tema virou obrigação de gestão, não “pauta ambiental bonita”.

A boa notícia, existe caminho prático, com começo, meio e fim. E ele fica mais simples quando você pensa como manutenção, não como burocracia.

1) O que é PCB, em linguagem direta

PCB é um contaminante que pode estar no óleo isolante de equipamentos antigos. Em muitos casos, o equipamento continua operando “normalmente”, só que com um passivo invisível, técnico, ambiental e documental.

O Brasil já proíbe PCB há décadas, e ainda assim o legado permanece em equipamentos antigos em operação e em resíduos associados.


2) Prazos, o que significa na prática

A regra central hoje é:

  • Até 2025, os equipamentos contaminados devem ser retirados de uso para entrarem na programação de destinação.
  • Até 2028, ocorre o prazo para destinação final, eliminação.

Tradução, 2025 é o ano de tirar da rota de operação e colocar na rota de decisão, 2028 é o limite de fechamento do ciclo.


3) Onde o PCB costuma estar, e o que muita gente esquece

Não é só “o transformador”.

Equipamentos com óleo isolante podem estar em muitos tipos de instalação, e o processo envolve também resíduos e materiais que tiveram contato com esses óleos, por exemplo óleos usados, itens contaminados, partes permeáveis e outras “miscelâneas”.

Por isso, quando a empresa só olha para 1 ou 2 ativos grandes e ignora o resto, ela fica com inventário incompleto e paga a conta em forma de retrabalho.


PCB Zero, os 5 passos para entrar na conformidade

Passo 1, Mapeie o que existe, antes de tentar resolver

Objetivo, descobrir onde pode haver risco, sem achismo.

Checklist simples:

  • Lista de equipamentos com óleo isolante, por unidade, área, local.
  • Ano, fabricante, histórico de intervenções, trocas de óleo, vazamentos, movimentações.
  • O que está em operação, o que está armazenado, o que está “encostado”.

Esse passo é o que separa “vamos correr” de “vamos decidir”.

Passo 2, Faça a análise e classifique do jeito certo

Você não “adivinha” PCB. Você confirma por análise, com escopo adequado.

O próprio MMA orienta a usar o caminho de identificação, inventário e gestão técnica do equipamento, e disponibiliza referências oficiais, inclusive listas de laboratórios.

Aqui vale uma regra de ouro: não é etapa para improviso. É trabalho técnico, executado por equipe habilitada, com rastreabilidade.

Passo 3, Monte o inventário e coloque isso no sistema

Inventário não é planilha esquecida em uma pasta. É registro formal, que sustenta auditoria, cronograma e comprovação.

O Projeto PCB Responsável exige que a empresa esteja no Inventário Nacional de PCB (SINIR/MMA) para pleitear apoio.

Passo 4, Faça o plano, e trate rastreabilidade como parte do serviço

Inventário sem plano vira arquivo morto.

Um plano bem feito amarra:

  • o que sai primeiro (prioridade de risco e criticidade),
  • como será transportado e destinado,
  • qual empresa licenciada executa,
  • quais evidências fecham o dossiê.

No próprio programa, a solicitação do apoio é feita com empresa destinadora licenciada, e a documentação entra como Dossiê Inicial.

Passo 5, Entenda a regra de reclassificação após intervenção

Esse passo evita um erro comum, achar que “mexeu no óleo, resolveu”.

O Manual de Gestão de PCB define faixas de classificação do equipamento pelo teor no líquido isolante:

  • Contaminado por PCB, teor ≥ 50 mg/kg e < 500 mg/kg
  • Não PCB, teor < 50 mg/kg (ou “menor que 50 mg/kg” em ensaio)
  • Isento de PCB, teor ≤ 2,0 mg/kg em norma específica

E um ponto importante, intervenções de fluido exigem controle e registro, porque existem regras de gestão, e até de vedação a “mistura” feita para descaracterizar a classificação.


O apoio do Projeto PCB Responsável, em português claro:

O Projeto PCB Responsável, do MMA com apoio do PNUD, oferece suporte técnico e apoio financeiro proporcional à quantidade eliminada, por ordem de chegada e sujeito a orçamento.

No canal do MMA, o apoio é descrito como pagamento pro rata, podendo variar entre USD 215 e USD 605 por tonelada, conforme localização do material.

Para entrar, o básico é:

  1. estar no Inventário Nacional,
  2. preparar o dossiê com empresa licenciada,
  3. executar e comprovar a destinação com rastreabilidade.

Para começar ainda esta semana, sem travar

Se você quiser tirar isso do “assunto chato” e colocar no “assunto resolvido”, comece assim:

  1. Nomeie um responsável interno pela coordenação do tema (manutenção, meio ambiente, engenharia).
  2. Levante a lista de equipamentos com óleo isolante, com localização e condição.
  3. Separe documentação existente, manutenção, intervenções, trocas, descarte anterior, movimentações.
  4. Priorize criticidade, o que não pode parar, o que está mais exposto, o que tem histórico de intervenção.
  5. Chame uma equipe especializada para orientar análise, inventário e plano de destinação com rastreio.

Como a TrafoCare apoia esse processo:

A TrafoCare entra para reduzir ruído e evitar retrabalho, estruturando a jornada completa:

  • orientação e triagem técnica,
  • apoio na organização do inventário,
  • condução do plano e da rastreabilidade,
  • suporte documental para o processo, em conjunto com parceiros licenciados quando aplicável,
  • fechamento do ciclo com evidências, não com promessa.

Se a sua meta é “PCB Zero”, o caminho é simples, inventário, análise, plano, rastreio, reclassificação, nessa ordem.


FONTES:
MMA, Empresas, Projeto PCB Responsável
https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/meio-ambiente-urbano-recursos-hidricos-qualidade-ambiental/seguranca-quimica/convencao-de-estocolmo/pcb/projeto_pcb-responsavel/empresas-1/empresas

PNUD, notícia do Projeto PCB Responsável
https://www.undp.org/pt/brazil/news/projeto-pcb-responsavel-lanca-apoio-para-eliminacao-segura-de-equipamentos-contaminados-com-bifenilas-policloradas-pcbs-no-brasil

Manual de Gestão de PCB para Equipamentos Elétricos (SINIR)
https://portal-api.sinir.gov.br/wp-content/uploads/2022/04/Manual-de-Gestao-de-PCB-para-Equipamentos-Eletricos-DIGITAL.pdf

Agência Senado, Lei 14.250/2021, contexto e limite de concentração citado
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/11/26/sancionada-lei-para-descarte-de-pcbs-substancia-toxica-em-equipamentos-eletricos-antigos